Política: O monstro que acordou a intolerância.

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Faço parte de uma geração que não sabia como era ir às ruas ou acompanhar um processo de impeachment. Muito menos passar o domingo assistindo a TV Câmara. O que muitos chamaram de “um final de semana triste” eu considerei um fato histórico. Por um lado é extremamente positivo ver tanta gente se interessar e acompanhar de perto as decisões de nosso país. Por outro lado me assusta saber que nossa própria apatia ao longo dos anos pode ter causado tudo isso.

Não vou comentar se eu acredito que tudo isso resolve ou não os problemas da população, não é o foco do texto. Todo o espetáculo por si só nos mostrou que se achávamos que conhecíamos um pouco os parlamentares que nos representam, estávamos enganados.

O que mais me espantou e chamou atenção em tudo isso foi a intolerância que vem sendo gritada em todos os contextos. Amizades sendo desfeitas, discursos de ódio, troca de agressões nas redes sociais sem limites. As brigas e “gritarias” não fazem sentido e não se justificam.

O que tem acontecido conosco? Porque estamos intolerantes assim? Não somos nós que estamos lutando contra os milhares de preconceitos enraizados em nossa cultura?

Se não sabemos lidar com as diferenças, como isso será possível? A falta de habilidade de respeitar as crenças e opiniões alheias só nos atrapalha a superar esse mal. Fico preocupada quando penso que a política na verdade só acordou um monstro adormecido dentro de muitas pessoas: o monstro que credencia a disparada de ataques pessoais, ofensas e desejar o mal das outras com a desculpa de que “o outro lado não merece seu respeito”.

A intolerância pra mim nasce da falta de empatia. Olhar para o outro com os olhos dele. Tentar com todas as forças de nosso coração perceber o que o faz pensar da maneira que pensa, não para concordar, mas para entender e respeitar a sua história, a sua vida, que pode não ter nada a ver com a sua.

Ser empático vai além de ser simpático ou carismático. Trata-se de ser capaz de reciclar o pessimismo e superar a necessidade de estar acima das outras pessoas; é recolher as armas do seu pensamento, utilizando da lentidão em condenar, mas da rapidez ao compreender e intuir que a verdade é um fim inatingível.

Precisamos ser tolerantes e empáticos para aprender a lidar com as diferenças, sejam elas a respeito da cor de nossos olhos ou de nossas ideologias, ou não seremos capazes de levantar e resolver as nossas problemáticas, os nossos limitadores, o que dirá os do nosso país.

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